A metodologia mais evidenciada nessa nova tendência é a Periodização Tática (PT), que propõe toda a estruturação dos treinamentos, desde a pré-temporada, balizada pelo Modelo de Jogo que se pretende construir e que deve evoluir continuamente atingindo seu ápice no final da temporada. A PT não prevê queda de rendimento para uma retomada posterior, o nível de elaboração do Modelo de Jogo deve chegar a níveis superiores seqüencialmente. Para que esse fenômeno ocorra, deve-se selecionar os conteúdos, estabelecer a forma como eles serão desenvolvidos e estabelecer um processo com base pedagógica que será concretizado através de uma didática coerente.
Cada uma das dominantes anteriormente citadas possui seu próprio conteúdo, porém, há uma diferença na forma de desenvolvimento das mesmas, visto que, elas devem estar presentes no treino de maneira similar àquela em que se manifestam no jogo como podemos observar na figura 1.
Figura 1 – Paradigmas de manifestação das dominantes no Jogo
Ao aplicar um paradigma cartesiano para a análise do jogo, possivelmente será dele retirado um modelo parecido com o Interdisciplinar (não é o objetivo aqui entrar nesta discussão, mas deve-se ressaltar que no futebol profissional no Brasil atualmente algumas equipes ainda não atingiram este estágio, trabalhando num modelo Multidisciplinar, sem a mínima interação entre as áreas) e conseqüentemente o treinamento desintegrará as partes do jogo, para potencializá-las separadamente e num momento posterior integrá-las na tentativa de transformar os ganhos isolados em aumento no rendimento do jogo. Para um modelo pautado nas teorias da complexidade, o jogo não deverá de desintegrado, mas “fractalizado”, ou seja, desenvolvido através de atividades que representem fractais (partes do todo que contém todas as características do todo, mantém a identidade do todo) do jogo formal, com modificações no tempo, no espaço, no número de jogadores, na regra, entre outras variáveis, mas que sempre mantenham relação com a unidade funcional do jogo. E para manter íntima relação com o jogo, as atividades devem ter conteúdos táticos, físicos, técnicos e mentais, porque, dentro do processo de evolução do “jogar” da equipe são estes (os conteúdos) que permitirão que a modelação pretendida pelos membros da comissão técnica se concretize e se transforme em resultados consistentes.
Para finalizar, há duas informações muito importantes para os profissionais interessados nessas novas metodologias que devem ser assimiladas para que não ocorram “enganos”. A primeira é esclarecer que mini-jogos e / ou jogos reduzidos não são as atividades citadas responsáveis por construir o Modelo de Jogo. As atividades referidas são jogos condicionados que possuem uma relação entre eles durante todo o processo e que são únicos para cada treinador que trabalhe nessa perspectiva. A segunda informação é que não dá para desenvolver uma parte do trabalho pautada na complexidade e outra não, é uma questão de filosofia, ou a comissão técnica tem conhecimentos sólidos para desenvolvê-la ou trabalha dentro daquilo que conhece mais profundamente.
Leandro Zago























